quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Lançamento: A segunda-feira começa no sábado, Arkádi & Boris Strugátski

Os irmãos Arkádi (1925-1991) e Boris Strugatski (1933-2012) são escritores de ficção científica que ficaram muito conhecidos depois que o cineasta Andrei Tarkovski (1932-1986) dirigiu Stalker (1979), um clássico do gênero que transpôs para o cinema o romance Piquenique na estrada (1972), de autoria desses dois escritores russos, traduzido no Brasil em 2017, pela editora Aleph.
A segunda-feira começa no sábado (Понедельник начинается в субботу), originamente publicado em 1965, é o terceiro romance desses escritores que chega ao Brasil, também pela Aleph. Anteriormente, tivemos apenas Certamente, talvez, romance de 1977 publicado em 1980 pela Civilização Brasileira, sendo estes três os únicos títulos no Brasil desses escritores excepcionais (há mais alguns, de origem portuguesa).
Diz o texto de divulgação: "O jovem programador Sacha, natural de Leningrado, parte de carro rumo ao norte da Rússia para visitar alguns amigos na longínqua Soloviéts. No caminho, à beira da estrada, encontra dois sujeitos peculiares que lhe pedem uma carona até essa cidade que não é exatamente o que parece. Por obra do acaso ou do destino, o que começa com um gesto de camaradagem termina em uma inusitada oferta de emprego no misterioso Instituto de Pesquisa Científica em Magia e Bruxaria ― um lugar inusitado onde mágica, ciência e o funcionalismo público se encontram para investigar 'a felicidade humana' e 'o sentido da vida'."
O volume tem 336 páginas, tradução de Yuri Martins de Oliveira e está em pré venda no saite da Aleph, com lançamento previsto para 10 de fevereiro.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Lançamento: Bikku Matti, Zacharias Topelius

A Sociedade das Relíquias Literárias - SRL é um projeto da Editora Wish para viabilizar a tradução e publicação em ebook de textos raros de ficção fantástica internacional, resgatando assim obras desconhecidas de autores em domínio público, quase sempre inéditas em português. Uma assinatura mensal dá ao apoiador o direito de um novo ebook a cada mês, entre outras recompensas aditivas.
A primeira relíquia de 2026 é a novela de fantasia Bikku Matti, do escritor finlandês Zacharias Topelius (1818-1898) publicada postumamente em 1915. O autor é identificado especialmente com a literatura infantil.
Diz a sinopse: "Em uma cabana humilde à beira da estrada, o órfão Bikku Matti, um menino pequeno, de cabelos dourados e determinação maior do que o próprio corpo, vive com seus pobres avós pobres. Entre a vergonha de não ter calças, a crueldade das zombarias da comunidade e o orgulho de vestir, pela primeira vez, o velho uniforme do avô, Bikku Matti enfrenta o mundo com inocência e coragem. Quando um encontro inesperado com um homem poderoso pode mudar o destino da família, o menino precisa fazer uma escolha que colocará seu coração à prova."
Bikku Matti ocupa o número 70 da coleção SRL; tem 61 páginas, tradução de Camila Fernandes Carmocini e traz ainda uma biografia do autor. A capa tem uma ilustração de Bruno Felix. 
Para fazer parte da Sociedade, basta formalizar o apoio na página do projeto, aqui.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

QI 198

Está circulando o número 198 fanzine Quadrinhos Independentes-QI, editado por Edgard Guimarães, inteiramente dedicado ao estudo das histórias em quadrinhos, destacando a produção independente e os fanzines brasileiros. 
A edição tem 48 páginas com vinhetas em quadrinhos e ilustrações de Luiz Iório, Manoel Dama, Henrique Magalhães, Angelo Júnior, Mário Labate Santiago, Luiz Cláudio Lopes de Faria e de Guimarães, artigos de E. Figueiredo, Alex Sampaio e Rod Tigre, e as colunas "Fórum" com as cartas dos leitores,"Edições independentes" divulgando lançamentos de fanzines do bimestre anterior e "Mantendo contato", de Worney Almeida de Souza, com tiras de Fernando Gonsales, Maurício de Sousa, Laerte e Galvão Bertazzi.  A capa traz uma ilustração de Guimarães, que traz um efeito de transparência com o verso. 
Junto a esta edição, os assinantes recebem o número 8 de Os primeiros super-heróis do mundo, com uma pesquisa de 32 páginas de Leonardo Albuquerque sobre personagens do suplemento O Tico-Tico; o número 33 da série Reflexões sobre Imagem e Cultura, com uma pesquisa de Quiof Thrul sobre "A saga de Pecos Bill, O furacão do Texas"; o número 4 de A liga dos Quadrinhistas Independentes, com uma entrevista de Rod Tigre e Edgard Guimarães com o quadrinhistas Lincoln Nery; e o númerto 12 de Papos Tais, com uma troca de ideias de Guimarães com seu publisher, Henrique Magalhães.
Exemplares impressos do QI e seus encartes podem ser adquiridos mediante assinatura. Mais informações, diretamente com o editor pelo email edgard.faria.guimaraes@gmail.com. Versões digitais de todas as edições, desde o primeiro número, bem como de todos os encartes, estão disponíveis no saite da editora Marca de Fantasia, aqui, além de muitas outras publicações que valem a pena conhecer.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Resenha: O Mundo Resplandecente, Margaret Cavendish

O Mundo Resplandecente
(The Blazing World), Margaret Cavendish. Tradução de Milene Cristina da Silva Baldo. 151 páginas. São Paulo: Plutão, 2019. Originalmente publicado em 1666.

Cento e cinquenta anos antes do Frankenstein, de May Shelley, uma outra mulher, também britânica, ousou enveredar pela ficção fantástica em busca de uma utopia. Margaret Cavendish (1623-1673), também conhecida como Duquesa de Newcastle-upon-Tyne, foi uma filósofa e cientista muito respeitada, tendo sido a primeira mulher recebida na Royal Society of London, em 1667. Em sua época, Cavendish travou debates com contemporâneos importantes como Thomas Hobbes e René Descartes. 
Sua contribuição ao desenvolvimento da ficção científica se deu com o romance O Mundo Resplandecente, um texto incomum que reúne ensaio filosófico, feminismo, construção de mundos e aventura de ação a partir da descrição de um mundo ideal, aos moldes da Utopia de Thomas More (publicado em 1516) com contornos mais fantásticos, o que remete ainda a As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, publicado muito depois, em 1726.
A história conta como uma jovem inglesa é raptada por piratas e levada para longe num navio. Atingido por um inverno especialmente rigoroso no Círculo Polar Ártico, apenas ela sobrevive devido ao vigor de sua juventude. À deriva, o navio é arrastado por uma corrente marinha e chega ao Mundo Resplandecente, um lugar habitado por seres híbridos de homens e animais que vivem em paz e riqueza abundantes. 
No Mundo Resplandecente, que leva esse nome devido as estrelas especialmente luminosas que tornam suas noites tão claras quanto o dia, a beleza da jovem atrai a atenção do Imperador daquela terra, com quem acaba por se casar. Dotada de poderes de governança absolutos, a jovem Imperatriz implementa uma administração com resultados ainda mais fabulosos para seu povo. Amada pelo Imperador e por todos os súditos, requisita os conselhos de uma Duquesa de um outro mundo, que vem visitá-la em espírito e com ela empreende longos debates e uma missão de guerra contra o mundo dos homens, no qual as nações se uniram para destruir a Inglaterra. Dotada das tecnologias mais avançadas do Mundo Resplandecente, a Imperatriz subjuga todo o planeta com o uso de uma frota invencível de submarinos de ouro, fazendo do Rei da Inglaterra o governante plenipotenciário do mundo inteiro. 
O livro está dividido em duas partes, mas tem de fato três movimentos principais. Depois de poucas páginas explicando como a jovem dama se tornou a Imperatriz do Mundo Resplandecente, temos um longo trecho no qual a Imperatriz interroga todas as castas de homens-animais do reino a respeito de seus conhecimentos filosóficos, sendo cada uma especialista em uma área do conhecimento. Similar a um ensaio dialógico platônico, o texto expõe as ideias filosóficas de Cavendish, no qual ela defende o platonismo e ridiculariza a lógica aristotélica. A segunda parte conta como a Imperatriz convoca o espírito da Duquesa, que com ela chega a dividir o próprio corpo – bem como o marido da Duquesa – e as muitas viagens que fizeram juntas. A terceira parte narra a bem sucedida campanha militar da Imperatriz contra o mundo dos homens. 
Salta aos olhos a nulidade da ação masculina nas três realidades descritas no enredo. No Mundo Resplandecente, o Imperador é uma figura acessória e despersonalizada, uma vez que todo o poder está depositado nas mãos da Imperatriz. No mundo da Duquesa, o Duque é um homem endividado que só pode ser salvo da ruína com a ajuda da riqueza da Imperatriz. E, no nosso mundo, o Rei da Inglaterra só pode manter-se no poder com a ajuda militar das forças comandadas pela Imperatriz. 
Por conta de suas ideias inusitadas, muitos consideram O Mundo Resplandecente como o primeiro exemplo evidente de ficção científica na literatura, embora não estejam ali ainda as técnicas narrativas do romance moderno que podem ser aprecisadas em Frankenstein de Mary Shelley. Mas temos que reconhecer a primazia de Cavendish em muitos temas caros ao gênero, bem como a evidente proposta feminista muito antes de Mary Wollstonecraft (1759-1797) – mãe de Mary Shelley e filósofa respeitada, que primeiro desenvolveu textos em defesa dos direitos das mulheres. 
A edição da Plutão, em versão digital, é de alta qualidade, como também o é nos demais livros por ela publicados. Traz os prefácios das duas primeiras edições (1666 e 1668) e mantém o texto em sua forma original, sem divisões entre capítulos. As notas da tradutora Milene Cristina da Silva Baldo auxiliam no entendimento das muitas referências históricas do texto, que ficaria hermético sem elas. 
O Mundo Resplandecente recebeu outras edições no Brasil, como a da Rinocerote (2019, com tradução de María Fe González Fernández) e da Novo Século (2021, com tradução de Alcebíades Diniz). Talvez existam outras que não consegui identificar. 
Ainda que não seja uma leitura convencional, O Mundo Resplandecente não é difícil de ler, mesmo em seus trechos mais filosóficos. A autora certamente queria torná-lo um livro popular e obteve relativo sucesso nisso. Tanto que aqui estamos, quase quatrocentos anos depois, ainda a falar dele. Um livro que obriga a refletir nossas certezas a respeito das origens da ficção científica.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O apocalipse amarelo 2: Os imundos de Shub-Niggurath, Diego Aguiar Vieira

Os imundos de Shub-Niggurath
é o segundo volume da série neolovecraftiana O apocalipse amarelo, do escritor carioca Diego Aguiar Vieira, iniciada com o romance Uma torre para Cthulhu, vencedor do Prêmio ABERST de Melhor Narrativa Longa de Terror, publicado pela editora Avec em 2023.
Diz o texto de apresentação: "Rafa está marcada pelo trauma de um amor perdido e pela dificuldade de lidar com um presente em ruínas. Ícaro, seu irmão, luta para manter a sanidade e o senso de realidade enquanto os dias se tornam mais fluidos e violentos. Lúcia, criada dentro de um culto religioso, tenta sobreviver entre visões, imposições e o que ainda resta de si. Malaquias tenta manter o grupo unido e proteger as pessoas ao seu redor, mesmo sem compreender totalmente o que está acontecendo – guiado não pela certeza, mas pela necessidade de cuidar. Juca enfrenta o horror à sua maneira – com lógica, lucidez e inteligência – num mundo que parece rejeitar tudo isso. E Kamog, uma presença antiga e inquieta, move-se entre corpos e tempos, sempre à espreita."
Os imundos de Shub-Niggurath tem 264 páginas e está em pré-venda no saite da editora Avec, aqui.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

4x Fanzine

Depois de tratar dos fanzines Megalon e Hiperespaço, o canal Café Especulativo, do pesquisador Edgar Smaniotto, recebeu, no último dia 18 de janeiro, o pesquisador e escritor Roberto de Sousa Causo para contar um pouco de sua longa trajetória como editor de fanzines. 
Causo editou diversos títulos dedicados a fantasia e a ficção científica, como O Rhodaniano, Papêra Uirandê, The Brazuca Review, Borduna & Feitiçaria, entre outros, publicados ao longo dos anos 1980 e 1990. 
O vídeo da entrevista, que durou três horas, está integralmente disponível aqui.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

HQ Memories 27

HQ Memories
é um fanzine de e sobre quadrinhos editado pelo cartunista Luigi Rocco sob a chancela do selo Inumanos Agrupados, dedicado a lembrar trabalhos e autores esquecidos dos quadrinhos brasileiros e estrangeiros.
A edição 27 resgata as seguintes histórias: "Só... corro" (1967), de Victor Forde (também cohecido como Luis Sátiro); "O diário do Dr. Hayward" (1938), de Will Eisner e Jerry Iger; "Fogaça" (1966), de Vilmar Rodrigues; "A aposta" (1955), de Doug Wildey; "Monstros" (1986), de Gary Brookins e Bob Gorrell; "Desidratação", de Maurício de Sousa; e "O Caçador: Cuidado com o Sr. Meek" (1942), de Joe Simon & Jack Kirby.
A edição tem 44 páginas formato magazine com capa colorida em cartão, que traz uma ilustração de Sebastião Seabra com uma imagem do Homem Lua, personagem criado por Gedeone Malagola. Imagens e detalhes de cada um dos trabalhos apresentados podem ser conferidos no blogue da publicação, aqui.
Rocco também está republicando os primeiros números do fanzine, agora no mesmo formato grande, e já alcança o número 11. 
HQ Memories pode ser encomendado diretamente com o autor, pelo email luigirocco29@gmail.com.